quinta-feira, 27 de novembro de 2008

SANA!

Se a cultura japonesa invadiu o mundo, no Ceará não foi diferente. O público do estado se mostra interessado e é consumidor fiel de produtos como animes, mangás, souvenirs e até mesmo fantasias de seus personagens preferidos.

Para abrigar um público tão ávido por novidades japonesas, com o passar dos anos alguns eventos surgiram. O maior deles, que permanece até hoje em sua oitava edição, é o SANA – Super Amostra Nacional de Animes. Hoje, o evento acontece semestralmente no Centro de Convenções de Fortaleza, e a edição passada chegou a contar com um público de 32 mil visitantes.

Público do SANA7

Estudantes, fãs, Otakus (gíria usada para rotular fãs de animes e mangás) comparecem em peso para assistir shows de ícones pops japoneses, palestras, comprar mangás, assistir animes em salas de exibições especiais, conhecer ilustradores, dubladores, participar de Workshops e outras inúmeras atividades.

Muitos aparecem fantasiados de seus personagens favoritos. A atividade, que ficou conhecida como Cosplay é a abreviação de "costume player" (Fantasia, em inglês) Alguns dizem que a atividade surgiu nos Estados Unidos em convenções de quadrinhos na decada de 70, mas se popularizou no Japão e hoje é bastante conhecida. Nesses eventos é comum que haja concursos da fantasia mais bem feita.

Cosplays



Conversamos com um dos organizadores do evento, o estudante de Ciências Sociais Igor Camelo.

A entrevista você confere aqui!


NobiBlog – Como funciona a estrutura do SANA hoje, e como você se envolveu com o evento inicialmente?
Igor - São basicamente três grupos dentro da fundação que organiza o evento: diretores, coordenadores e organizadores. Hierarquicamente falando, sou da coordenação do evento. Minha função durante o planejamento (ou pré-evento) é a venda e a organização dos stands dentro do espaço do evento, então me envolvo diariamente com assuntos do evento durante boa parte do ano (já que são duas edições por ano). No dia do evento, sou responsável pela entrava VIP/Preferencial e o bloco dos convidados nacionais e internacionais.

NB – Você se envolveu por que já gostava de cultura japonesa antes?
I - Basicamente, sim. Inicialmente, éramos apenas um grupo de amigos que se encontravam aos sábado próximos à Praça Portugal, pra falar de assuntos comuns entre os "otakus" (termo japonês que no Brasil denomina os fãs de derivados japoneses): anime, mangá, jogos, filmes, etc. A organização desse tipo de evento na época era um hobby que acabou crescendo, e quando nos demos conta do potencial que isso tinha, decidimos nos organizar melhor pra tornar o SANA mais "profissional", embora sem perder o clima de "feito de fãs para fãs".

NB- E isso tudo faz quanto tempo?
I- Nos conhecemos há aproximadamente 9 anos, sendo que são 7 anos de evento

NB - Quais as principais mudanças que ocorreram nesses 7 anos?
I- Resumindo bastante, em 7 anos, vimos o evento dobrar de tamanho e público a cada edição. Começamos em um pequeno auditório da UNIFOR, que logo de cara vimos lotar. Em seguida tentamos outros auditórios da universidade, mas vimos que o evento precisava de mais espaço para expandir. Chegamos a realizar uma edição especial no Cine São Luiz, no centro da cidade, mas o grande salto foi quando conseguimos espaço no centro de convenções. Desde então, é o único local com estrutura adequada pra um evento das dimensões do SANA hoje em dia.
Quanto aos convidados, aos poucos fomos crescendo e conseguindo algum respaldo no nordeste, onde praticamente não havia eventos do gênero na época. Ficamos muito felizes quando conseguimos trazer um profissional da área pela primeira vez, Marcelo Campos, um dublador de séries de anime, que trabalha e está envolvido diariamente com o nosso hobby e de todos do evento. Antes parecia algo inalcançável, mas aos poucos percebemos que era possível - e que o público de Fortaleza tornava possível - trazer nossos ídolos e profissionais que admirávamos desde pequenos para o SANA. O que se seguiu foi o grande salto que demos em 2007: conseguimos realizar o sonho de trazer atrações internacionais diretamente do Japão. Nós mesmos não acreditávamos.

NB – Foi a partir daí que o SANA ficou conhecido nacionalmente?
I - Em 2007, já havíamos ultrapassado todos os limites do "regional": o SANA já era conhecido em praticamente todo o país, e já figurava como uma atração nacional, e não apenas um evento em Fortaleza. Com muito esforço, conseguimos pessoas que trilharam o caminho até o Japão para contatar alguns dos maiores ícones da cultura japonesa no Brasil, como cantores de temas de séries de anime e tokusatsu famosas por aqui. Foi nesse momento que olhamos pra trás e vimos que tínhamos conseguido algo impensável, quando começamos um hobby sem a menor pretensão: o SANA havia chegado ao Japão.

NB- Que atrações foram essas?
I- As primeiras atrações japonesas foram Akira Kushida - cantor de séries que fizeram sucesso no Brasil na década de 80 e 90, como, Jiraya, Jaspion, Jiban, dentre outros - e Takayuki Miyauchi - intérprete de séries como Kamen Rider, Solbrain e Winspector. Só acreditamos que estava acontecendo quando os vimos chegar ao aeroporto, foi muito emocionante.

NB - Como o público reagiu a essa grande novidade?
I - A recepção do público não podia ter sido melhor. Realizamos um show no espaço anexo do centro de convenções, que comportou bem mais gente do que esperávamos. Os próprios cantores ficaram impressionados com o tamanho do evento, e nos agradeceram (!!!) pela oportunidade de tocar para o grande público de Fortaleza.

NB
- Você acha o público cearense um público interessado e receptivo à cultura japonesa?
I - Eu acredito que o público jovem é muito receptivo, sim. As crianças em especial são um nicho muito conhecido no mercado que explora esse "fascínio" pelo oriental, principalmente pela popularidade de desenhos e quadrinhos japoneses. Os adolescentes também são muito receptivos, e os adultos geralmente se identificam com a filosofia do Japão tradicional: seus hábitos, o respeito que eles têm à vida, etc., mas o público jovem não só do ceará, como do Brasil, tem uma afinidade muito grande com o que vem do Japão

NB -A sua tese da faculdade remete a relação da cultura japonesa no Brasil. Como se deu a escolha desse tema?
I- Sempre tive uma afinidade pessoal pelo Japão. O modo de vida deles sempre me fascinou, tanto no que diz respeito à tradição como no que diz respeito à modernidade das grandes capitais, as tendências, as pessoas, tudo. A cultura japonesa é extremamente diversa e rica em lições pro resto do mundo, embora também não esteja a salvo dos males da modernidade, como uma indústria que abrange a absolutamente tudo, sociopatas vítimas de dependência tecnológica, dentre outros. O Japão consegue ser igual e ao mesmo tempo completamente diferente do ocidente: um país mergulhado no capitalismo e dedicado rigorosamente ao mercado, mas cujas tradições persistem através das gerações nos gestos e nos hábitos das famílias. Há algo de único no Japão, que os diferencia do resto do mundo, e meu objeto é justamente essa especificidade do Japão e como os brasileiros assimilam e dão significado novo ao que vem de lá até aqui.


Para quem quer saber mais, o site do evento é:
http://www.portalsana.com.br/

Atrações internacionais


Akira Kushida cantando no SANA7, cantor de séries que fizeram sucesso no Brasil na década de 80 e 90, como, Jiraya, Jaspion, Jiban.

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